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Portugal quer ser ponto de partida para empresas brasileiras na Europa

 

 

Portugal quer ser ponto de partida para empresas brasileiras na Europa

Portugal quer ser o ponto de partida para a actuação de empresas brasileiras no mercado europeu, com a intensificação das relações económicas entre os dois países, disse hoje o primeiro-ministro português.

Em entrevista divulgada pela emissora brasileira Rede TV, José Sócrates afirmou que os dois países têm “assistido a um desenvolvimento e uma intensificação das relações comerciais, com as melhores empresas brasileiras a investir em Portugal”.

“A economia brasileira está numa cena de internacionalização. O Brasil está forte economicamente. O Brasil prosperou muito. O Brasil tem afirmação forte no contexto internacional e as suas empresas começaram a internacionalizar-se”, disse Sócrates.

“Nós gostaríamos de ser o ponto ou o país a partir do qual o Brasil parte também à descoberta da Europa”, declarou o primeiro-ministro português, citando o exemplo da fabricante de aviões Embraer, accionista da portuguesa OGMA.

José Sócrates elogiou o trabalho do presidente brasileiro, Lula da Silva, com quem se encontrará na quarta-feira, em Lisboa, para mais uma cimeira entre Portugal e Brasil.

“O presidente Lula mostrou ao mundo que a esquerda no Brasil pode governar e pode governar com responsabilidade. O trabalho que ele fez foi absolutamente notável, quer do ponto económico, quer do ponto de vista da afirmação do Brasil como uma grande potência política e económica”, disse.

José Sócrates sublinhou que o “político, seja socialista ou não seja, tem de lidar com a realidade e responder à realidade e que o mais importante para a esquerda é que seja realista”.

“Toda aquela esquerda que achou que devia comportar-se apenas com retórica e idealismo fracassou. Isso não serviu para ninguém, muito menos para os que precisam da esquerda para melhorarem as suas condições de vida”, afirmou.

José Sócrates sublinhou que, em 2008, houve a “maior crise mundial dos últimos 100 anos” e que foi preciso que os Estados ajudassem a estabilizar o sistema financeiro e a recuperar a economia.

O primeiro-ministro português disse que não há razão para a atual “especulação económica contra a Europa” e que a saída da crise exigirá o “caminho da responsabilidade e do rigor” com as contas públicas.

“A Europa é forte, mostrou que é forte reagindo à altura. Foi importante dar o sinal de que o euro é uma grande conquista do projecto europeu”, defendeu.

José Sócrates salientou ainda que Portugal “não precisarᔠdo FMI, porque é “país europeu que coloca normalmente sua dívida nos mercados”.


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